Todos os códigos e preceitos morais, estabelecidos
em todas as épocas, têm um denominador comum: a
separação entre o que é bom e o que é mau. Fazer o
que é bom é moralmente correto. O que modifica é o
conceito de BEM, variável segundo a cultura e
evolução de um povo, em cada época. Variável também
sob influências religiosas. Até mesmo a situação
geográfica poderá influir no conceito do bem e do
mal.
O homem primitivo, o Pithecantropus erectus,
provavelmente era dotado de uma consciência
rudimentar, não vivendo muito diferente dos outros
animais. Mas, através dos milênios, o homem foi
adquirindo autoconsciência, tomando conhecimento de
si mesmo e do mundo à sua volta. Através da
autoconsciência, o homem cria possibilidades de
níveis mais altos de integração. Nesse estágio, o
homem sabe que sabe e tem a faculdade de estabelecer
julgamentos morais dos atos realizados,
distanciando-se, deste modo, de outras espécies
animais.
À medida que o homem, individualmente ou como raça,
evolui, expandindo sua consciência, vai tornando
mais complexa sua relação com o mundo e com si
mesmo, porque outros fatores tornam-se importantes
na estruturação de sua conduta moral. Um exemplo
significativo, que me veio agora à mente: a
escravidão de seres humanos. Há os relatos bíblicos
a respeito desse assunto e, mais próximo de nós, a
escravidão humana, oficializada em nosso país, até
há bem pouco tempo. Era normal o senhor rico, dono
de terras, construtor de igrejas (religioso
portanto) ter os seus escravos, a quem tratava como
animais, separados em senzalas, sem direitos e
sujeitos a castigos inomináveis. Ah, mas havia os
senhores bons! Até que ponto eram bons? Porque
castigavam menos?
O que eu quero dizer é que, moralmente, era tido
como correto ter, entre seus bens, os escravos. Além
de tudo, amparado por lei. E ninguém tinha dor de
consciência porque, além de legal, os limites das
consciências de então eram muito estreitos,
pautavam-se por padrões que hoje até nos horrorizam,
e são incompreensíveis para nós. Havia as exceções,
e entre estas, orgulhosamente, os maçons.
Outro exemplo é a separação de classes, mais
evidente nos antigos, não tão antigos, reinados da
Europa. A distância entre a plebe e a nobreza,
odiosa, era uma coisa “natural”. Como era natural
mandar alguém para a fogueira simplesmente por
admitir fatos, tidos como heréticos, e que hoje
qualquer pessoa admite como se nunca houvesse sido
diferente. Mutatis mutandis, hoje é a mesma coisa,
com outra roupagem, basta ler os jornais e ver a
televisão. As condutas morais em nosso tempo,
estribadas na maior parte em leis, estão a exigir
outras “revoluções francesas”. Revoluções brancas,
sem dúvida, porque de 1.792 até agora, a humanidade
evoluiu um pouco e, em vez de paus, porretes, sabres
ou baionetas, temos o voto, arma silenciosa porém,
de uma eficácia ainda não percebida por todos.
Retomando o fio do raciocínio: à medida que o homem
cresce interiormente, tomando consciência dos
valores intrínsecos da alma, seus padrões morais
também se modificam, tornam-se mais sutis, havendo
maior exigência de si mesmo no comportamento moral.
Há a influência do meio, da estabilidade social, da
religiosidade, da cultura própria de seu país e de
muitos outros fatores.
De qualquer maneira que se olhar o padrão moral do
homem, ou de um povo, uma coisa é certa: a
consciência é o fator principal na crivagem do bem e
do mal.
A consciência é o Cobridor Interno. É o guardião
permanente de nossa conduta. A todo momento, em
nosso dia-a-dia, nos relacionamentos profissionais
ou familiares, a nossa consciência é abordada no
sentido de responder às questões que surgem. É ela
quem nos diz: isso é bom ou isso é mau. Por isso, é
preciso reflexão antes de tomarmos decisões, na base
do sim ou do não. Uma conduta impensada, uma frase
inoportuna e mal colocada, poderão trazer-nos
dissabores o resto da vida, porque agimos contra a
consciência, que não teria sido ouvida devidamente.
Tomemos tento, portanto, em nosso guardião interno.
Falar e agir, segundo seus ditames. Se ele nos diz,
não faça isso, não façamos.
De um modo geral, o que não gostaríamos que nos
fizessem, não devemos fazer a outrem. Agindo assim,
teremos um bom caminho andado para vivermos felizes
e cheios de amigos, não sendo necessário abandonar
nossos princípios e nem pactuar com atos indignos ou
incorretos.
Num homem pouco evoluído, no entanto, esses limites
de consciência não tem a mesma dimensão da de um
homem com mais madurez de alma e, assim, o mal
praticado por alguns, não teria para os seus
praticantes o mesmo nível moral. Praticam o mal sem
se aperceberem do desvio moral em que estão
incorrendo. É necessário apenas um pouco de atenção
para percebermos isto, em nossos relacionamentos
imediatos ou não. (Um exemplo recente é o do
deputado “pianista”, no Congresso. Para muitos de
seus pares, e para ele próprio, um deslize pequeno
não significa ser desonesto. . . questão de ponto de
vista).
Em nossos Templos, em fora deles, temos um campo
imenso para exercitar a consciência – e expandi-la.
No silêncio de nosso Templo Interior, abriga-se a
alma, com os atributos que lhe foram dados pelo
Grande Arquiteto do Universo, Deus.
Quando tivermos consciência de todo o nosso
potencial espiritual, estaremos prontos para sermos
maçons, em plenitude.
FAUSTO RODRIGUES DO VALLE
Membro da Loja Maçônica
Francis Bacon 2610
Goiânia - GO
