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Admiro duas instituições na
humanidade: uma é o cristianismo, outra, a
Maçonaria. A primeira é divina; a segunda é
a obra mais perfeita que o homem compôs. –
Joaquim SALDANHA MARINHO. |
Os mais eruditos historiadores maçônicos ainda não
chegaram a uma definição quanto a data certa de
fundação da Instituição Maçônica, cuja origem
perde-se nas noites do tempo.
Cada um tem sua própria opinião, chegando-se,
muitos, à conclusão de que ela existe desde que a
família sentiu necessidade de se congregar em
sociedade, para a defesa de seus ideais.
Se voltarmos nossos olhos para o passado longínquo,
encontraremos nas trevas brumosas do tempo, os
Obreiros dedicados, em lutas constantes contra o
poderio do mal. Podemos dar a esses agrupamentos de
homens, os nomes mais variados, porém, a essência,
os objetivos, os fins almejados, são os mesmos:
sempre a procura da verdade e a defesa da família,
da pátria e da humanidade, contra aqueles que têm
buscado, tão-somente, o aniquilamento dos supremos
ideais de liberdade, de progresso, de mudanças e
transformações, graças ao processo de esclarecimento
dos menos esclarecidos, da educação e até mesmo das
lutas pela preservação dos direitos mais comezinhos
de se viver livre e independente, buscando, a cada
dia, novos progressos sociais.
Assim é que, deixando para trás os egípcios, os
fenícios, os medas e persas, os chineses e indianos,
chegamos a escola dos essênios, com novos e reais
ensinamentos, principalmente com um brado ao mundo
de que “Todos somos Irmãos”.
A respeito dessas sociedades antigas, escreveu
Cícero, o grande orador romano: “Foram os mistérios
que nos tiraram do estado bárbaro e feroz que
dominava os nossos antepassados. É o maior bem que,
entre outros muitos, nós devemos a cidade de Atenas;
é de lá que nós aprendemos não só a viver com
júbilo, mas também a morrer tranqüilos, na esperança
de um porvir mais feliz”.
Passamos pela idade media, pagina negra da historia
universal, com a implantação da mais tremenda e
horripilante intransigência clerical – através do
Tribunal do “Santo Ofício”, mas conhecido pela
famigerada “Inquisição”.
Foi nesse período que a ação da Maçonaria mais se
fez sentir, defendendo os huguenotes na França,
Bélgica e Suíça, abrigando-os na Holanda e Alemanha,
contra a sanha sanguinária dos Torquemadas.
Na Europa, principalmente em Portugal, é ela que
corre em socorro dos infelizes e sacrificados
judeus. É ela, ainda, que sentido nas próprias
carnes a tirania feudal, parte, em nome do direito
das gentes e da igualdade dos povos, para uma luta
tenaz e titânica, que vem culminar com a derrubada
de um dos grandes monstros que infelicitavam a
humanidade – através da queda da Bastilha, em 14 de
julho de 1789. Foi seu período de grandiosidade, em
que a DECLARAÇAO DOS DIREITOS DO HOMEM criou os
ideais sagrados de “Liberdade, Igualdade e
Fraternidade”, que vieram a se constituir nos
supremos fins da Instituição.
As Nações Européias em fragmentação precisavam ser
salvas e justamente a América é que demonstrou a
grande capacidade de poder da Instituição Maçônica,
através de extraordinários libertadores, desde San
Martin a Bolívar, Moreno a Juarez, que foram Maçons
e basearam suas lutas nos ideais maiores da
Instituição.
Chegamos ao Brasil!
Que historia gloriosa e exemplos de brasilidade nos
foram legados pelos cultores da Arte Real, desde os
primeiros vagidos de nossa Independência.
Iniciados em Lojas Maçônicas européias, para cá
vieram as primeiras luzes maçônicas e orientações
básicas, visando nossa libertação do domínio
português, iniciando-se os primeiros movimentos
armados com a Insurreição Mineira de 1789. A
Revolução Pernambucana de 1817, baseada nos mesmos
princípios da antecessora, que teve em ilustres
Maçons e homens públicos de então, o afogamento em
sangue, dos sentimentos sagrados de Liberdade.
Não desanimados com os insucessos obtidos, os Maçons
se insurgiram no Pará, no Rio Grande do Norte, no
Ceará e na Bahia, com a “Sabinada”, no Rio de
Janeiro e no Rio Grande do Sul, com a “Guerra dos
Farrapos”.
Foram movimentos armados, dos quais participaram
somente os homens, cuja grandeza de espírito e cunho
de moralidade, foram moldados nos Templos Maçônicos,
que exigiam de seus Iniciados, entre outras, a
promessa de luta constante e sem tréguas, visando
alcançar a nossa Independência.
Objetivando acelerar o processo de Independência,
por habilidade e interesse dos Maçons, D. Pedro I
foi Iniciado na Maçonaria e imediatamente guindado a
direção suprema do Grande Oriente do Brasil.
Finalmente em 1822 a Independência foi alcançada.
Não parou aí a nossa atuação.
Comemoramos o Centenário da Abolição da Escravatura,
e quem desconhece o papel desempenhado pela
Maçonaria na Campanha da Abolição?
Já o poeta Castro Alves, Maçom convicto e absorvido
pelos ideais de liberdade pregados pela Maçonaria,
bradava ao mundo contra a opressão, como fazem
provas seus poemas, dos quais destacamos parte de O
Navio Negreiro onde ele clama:
Auriverde pendão de minha
terra,
Que a brisa do Brasil beija e balança,
Estandarte que a luz do sol encerra
E as promessas divinas da esperança...
Tu que, da liberdade após a guerra,
Foste hasteado dos heróis na lança,
Antes te houvessem roto na batalha,
Que servires a um povo de mortalha!...
E dentro da cronologia histórica brasileira sobre a
Extinção da Escravatura, todos os acontecimentos
desde 1826 a 1888, tiveram a participação da
Maçonaria, quer direta ou indiretamente, através de
seus membros que ocupavam altos cargos no Império,
culminando com a participação do Maçom Rodrigo
Augusto da Silva, Ministro da Agricultura, que
compareceu perante a Câmara, onde leu:
Augustos e Digníssimos Senhores Representantes
da Nação: Venho em nome de sua Alteza e Princesa
Imperial Regente, em nome de sua Majestade o
Imperador, apresentar-vos a seguinte proposta:
Art. 1º - É declarada extinta a escravidão no
Brasil
Art. 2º - Ficam revogadas as disposições em
contrario.
Palácio do Rio de Janeiro, em 8 de maio de
1888.
Rodrigo Augusto da Silva.
O projeto foi aprovado pela Câmara e pelo Senado e
no dia 13 de maio de 1888, foi convertido em Lei,
tomando o nº. 3353, com a assinatura da Princesa
Isabel, Regente, que daquele momento em diante
passou a ser cognominada de a Redentora, isto devido
a ausência do Imperador, que viajava para a Europa.
Assim foi a luta da Maçonaria e tem sido até os dias
presentes, pois onde existir uma Loja Maçônica, aí
estará um núcleo de defesa dos sagrados ideais de
Liberdade, Igualdade e Fraternidade.
Hoje, busca ela, com mais empenho, a Justiça Social.
Por que Justiça Social? Por compreendermos
que os homens só serão verdadeiramente livres,
quando forem todos nivelados socialmente.
No campo internacional é inquestionável a atuação da
Maçonaria, desde a Revolução Francesa e outros
acontecimentos de repercussão mundial, como a Carta
das Nações Unidas, promulgada em 26 de junho de
1945, em cujo Preâmbulo, lemos:
Nós, os Povos das Nações Unidas, Resolvidos a
preservar as gerações vindouras do flagelo da
guerra, que por duas vezes, no espaço da nossa vida,
trouxe sofrimentos indizíveis à humanidade, e a
reafirmar a fé nos direitos fundamentais do homem,
na dignidade e no valor do ser humano, na igualdade
de direitos dos homens e das mulheres, assim como
das nações grandes e pequenas, e, ...
E Para Tais Fins praticar a tolerância e viver em
paz, uns com outros, como bons vizinhos, e ...
Resolvemos Conjugar Nossos Esforços Para a
Consecução Desses Objetivos.
Em vista disso, nossos respectivos governos, por
intermédio de representantes reunidos na cidade de
São Francisco, depois de exibirem seus plenos
poderes, que foram achados em boa e devida forma,
concordam com a presente Carta das Nações Unidas e
estabelecem, por meio dela, uma organização
internacional que será conhecida pelo nome de NAÇÕES
UNIDAS.
Três anos depois, a 10 de dezembro de 1948, na
Sessão Ordinária da Assembléia Geral das Nações
Unidas, foi aprovada a DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS
DIREITOS DO HOMEM, que diz em seu inicio:
Considerando que o reconhecimento da dignidade
inerente a todos os membros da família humana e de
seus direitos iguais e inalienáveis é o fundamento
da liberdade, da justiça e da paz no mundo.
Considerando que uma compreensão comum desses
direitos e liberdades é da mais alta importância
para o pleno cumprimento desse compromisso.
Agora, portanto, a Assembléia Geral proclama a
presente
DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS
DIREITOS DO HOMEM
Como o ideal comum a ser atingindo por todos os
povos e todas as nações, com o objetivo de que cada
individuo e cada órgão da sociedade, tendo sempre em
mente esta Declaração, se esforce, através do ensino
e da educação, por promover o respeito a esses
direitos e liberdades, e, pela adoção de medidas
progressivas de caráter nacional e internacional,
por assegurar o seu reconhecimento e a sua
observância universais e efetivos, tanto entre os
povos dos próprios Estados Membros, quanto entre os
povos dos territórios sob sua jurisdição.
Art.I – Todos os homens nascem livres e iguais em
dignidade e direitos. São dotados de razão e
consciência e devem agir em relação uns aos outros
com espírito de fraternidade.
Art. II – 1. Todo homem tem capacidade para gozar os
direitos e as liberdades estabelecidas nesta
Declaração, sem distinção de qualquer espécie, seja
de raça, cor, sexo, língua, religião, opinião
política ou de outra natureza, origem nacional ou
social, riqueza, nascimento, ou qualquer outra
condição.
Art. III – Todo homem tem direito à vida, à
liberdade e à segurança pessoal.
Art. IV – Ninguém será mantido em escravidão ou
servidão; a escravidão e o trafico de escravos serão
proibidos em todas as suas formas...
Seguem-se outros artigos de igual valor e
importância.
Quais os verdadeiros objetivos da Maçonaria?
Rebold, in History of Masonry, responde assim:
O verdadeiro objetivo da Maçonaria pode resumir-se
nestas palavras: desfazer nos homens os preconceitos
de casta, as convencionais distinções de cor,
origem, opinião e nacionalidade, aniquilar o
fanatismo e a superstição, extirpar os ódios de raça
e com eles, o açoite da guerra, em uma palavra
chegar pelo livre e pacifico progresso, a uma
fórmula e modelo de eterna e universal justiça,
segundo a qual, todo ser humano possa desenvolver
livremente as faculdades de que esteja dotado e
possa vir a concorrer cordialmente e com todas as
forças para a comum felicidade dos seres humanos, de
sorte que a Humanidade venha a ser uma só Família de
irmãos unidos pelo afeto, cultura e trabalho.
Assim é que a Constituição do Grande Oriente do
Brasil, em seu Preâmbulo, estabelece como Princípios
Gerais da Instituição:
Art. 1º. A Maçonaria é uma instituição
essencialmente iniciática, filosófica, filantrópica,
progressista e evolucionista. Proclama a prevalência
do espírito sobre a matéria. Pugna pelo
aperfeiçoamento moral, intelectual e social da
humanidade, por meio do cumprimento inflexível do
dever, da prática desinteressada da beneficência e
da investigação constante da verdade. Seus fins
supremos são: LIBERDADE, IGUALDADE e FRATERNIDADE.
Além disso:
I – Condena a exploração do homem, os privilégios e
as regalias, enaltecendo, porém, o mérito da
inteligência, e da virtude, bem como o valor
demonstrado na prestação de serviços à Ordem, à
Pátria e à Humanidade;
II – afirma que o sectarismo político, religioso ou
racial é incompatível com a universalidade do
espírito maçônico. Combate a ignorância, a
superstição e a tirania;
III – proclama que os homens são livres e iguais em
direitos e que a tolerância constitui o princípio
cardeal nas relações humanas, para que sejam
respeitadas as convicções e a dignidade de cada um;
IV – defende a plena liberdade de expressão do
pensamento, como direito fundamental do ser humano,
admitida a correlata responsabilidade;
V – reconhece o trabalho como dever social e direito
inalienável; julga-o dignificante e nobre sobre
quaisquer de suas formas. . .
Baseados nesses princípios, é que as Lojas
Maçônicas, como luzeiros da comunidade, buscam
através da atuação de seus membros, praticar os atos
necessários, para que a justiça social seja fato
presente e constante em nossas atividades, pelo
trabalho desinteressado de seus Iniciados.
A Maçonaria hoje, mais evoluída e cristianizada –
resume sua filosofia na tríade sublime: VERDADE,
BELEZA E BONDADE; seu ideal político, nas palavras:
LIBERDADE, IGUALDADE e FRATERNIDADE, englobando
tudo, enfim, em: DEUS, VIRTUDE e CIÊNCIA.
Assim é que conhecendo a origem igual de todos nós,
da necessidade de nos congregarmos em comunidade,
para aproximação sincera e justa, urge que sejamos
unidos, assistindo uns aos outros, dentro dos
postulados que nos regem, deitando por terra as
barreiras que dividem os homens, como o orgulho, a
inveja, a ambição, a avareza e outros males,
buscando legar aos nossos pósteros, exemplos dignos
de imitação.
E isso temos feito. Escolas são erguidas e
sustentadas. Abrigos para amparo da velhice; asilos
para alienados, lar para meninas e institutos para
meninos, são obras diversas mantidas por Maçons,
buscando auxiliar as instituições publicas, na
elevação do conceito moral da família e na justa
compreensão de que apesar de tudo ainda existe
“Justiça Social”.
Onde houver um maçom, seja no Congresso Nacional ou
nas Assembléias Estaduais, nos Legislativos
Municipais ou nas Repartições Públicas, nos
Consultórios Médicos ou nos Tribunais, nas Escolas
ou no Comercio, enfim, onde quer que ele se
apresente, aí estará o pregoeiro da paz e da Justiça
Social, através do exemplo, do trabalho, da
moralidade no trato da coisa publica e da
preservação dos bons costumes.
Pelas razoes expostas, dizemos que a maçonaria é
símbolo de justiça, de defesa dos sagrados
princípios norteadores da família e sobretudo,
escola forjadora de moralidade e bons costumes, e
que busca, incessantemente, implantar a paz, a
harmonia e a concórdia, para a grandeza e
prosperidade da nação, da qual somos parte
integrante.
ABSAÍ GOMES BRITO
Membro da Loja Maçônica
Liberdade e União
1158
Goiânia - GO
